Estas luminárias lindas são feitas de palha africana e plástico

Palha nativa da África e resíduos plásticos dão forma a uma delicada linha de pendentes artesanais

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Entre as muitas formas de fazer diferença no mundo, o designer espanhol Alvaro Catalán de Ocón elegeu uma proposta conceitual (utilizar uma pequena parcela dos 150 bilhões de garrafas de PET descartadas anualmente no planeta) e uma ação efetiva (inserir artesãos de países em desenvolvimento no mercado globalizado). Assim nasceu o projeto PET Lamp, iniciado na Colômbia e no Chile e, agora, centrado na coleção Abyssinia, que remete ao nome anterior da Etiópia. Depois de recortado, o material é entrelaçado com palha tingida de pigmento vegetal. “Os artesãos têm liberdade de expressar seu trabalho como vêm fazendo há séculos, fiéis a suas raízes”, diz Alvaro. Confira a entrevista abaixo.

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Qual é o segredo para combinar modernidade, tecnologia e técnicas artesanais com sucesso?

Nosso objetivo principal sempre foi reutilizar garrafas plásticas, combinando técnicas artesanais com manufatura industrial da forma certa. E para conseguir isso, preferimos não dizer aos artesãos o que fazer, mas sim dar a eles liberdade para expressar seu trabalho. Afinal, eles vêm fazendo isso há séculos! Queríamos que eles olhassem para trás, para suas raízes, com suas cores e padronagens, e expressassem seu próprio universo. Quando você trabalha dessa forma, não há como errar. A porta para o mau gosto está fechada, pois tradição nunca é de mau gosto, ela é sempre autêntica.

Quanto à contribuição de elementos industriais no design, ela tinha que ser o menos invasiva, o mais sutil possível. Nós nos ocupamos da textura de materiais como o cabo e as peças de ferro, e cuidamos de deixar o gargalo da garrafa à vista ela foi usada de uma forma muito honesta, evidente, e essa conduta só pode levar a um produto íntegro, sem preconceitos estético associados a ele.

Como o projeto estimula o conceito de reciclagem e um novo olhar sobre os materiais?

Percebemos que os artesãos já mudaram sua forma de olhar para os materiais, eles agora olham para as garrafas avaliando sua cor, tamanho e formato. É muito gratificante observar que eles mudaram sua percepção do objeto. Agora eles valorizam algo que antes jogariam fora. Por outro lado, tem sido ótimo ver que o objeto resultante é muito atraente e contemporâneo por si próprio. As pessoas compram a lâmpada e só depois percebem que ela foi feita a partir de uma garrafa descartada. Para mim esse é o maior êxito do projeto.

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Qual é o impacto social do projeto?

Os problemas sociais são muito grandes para nós resolvermos apenas com esse projeto. Estamos criando uma consciência sobre o problema, mais do que resolvendo. No início, em 2011, começamos a trabalhar com apenas cinco artesãos de uma comunidade na Colômbia. Agora, são dezenas e o projeto avançou para comunidades no Chile e na Etiópia. Em 2016, envolverá também uma comunidade aborígene na Austrália. Depois, iremos para a África do Sul e o Japão. É como se o produto tivesse conquistado vida própria. Quanto aos artesãos, nós conseguimos levar as luminárias ao mercado global, que é o que eles necessitavam para manter uma entrada constante de renda. Desde o início, a ideia era criar design, muito mais do que uma peça experimental, sem continuidade. Eu acho que o artesanato, combinado com a industrialização no formato certo, pode gerar resultados muito interessantes. No nosso caso, conseguimos criar uma produção em série de um produto único. Cada lâmpada é diferente, mas pode continuar sendo reproduzida sucessivamente para sempre.

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