João Armentano, o arquiteto realizador de sonhos

Em entrevista à editora Regina Galvão, João conta os bastidores da profissão e detalhes de sua relação com CASA CLAUDIA. Confira na íntegra abaixo.

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O paulistano João Armentano, arquiteto renomado no Brasil e no exterior, tem uma relação longeva com CASA CLAUDIA, revista que o lançou há 32 anos ao publicar seu primeiro apartamento. Nesta entrevista à editora Regina Galvão, ele conta como se projetou nacionalmente.

Como você chegou até a revista?

Minha história com CASA CLAUDIA é muito romântica. Em 1982, eu me casei com a Cristina e montei nosso apartamento. Nessa época, dividia o escritório com Roberto Migotto. O resultado ficou interessante, apesar do pouco dinheiro que tínhamos para a reforma. Prevaleceram a criatividade e o jogo de cintura para resolver o interior, com piso de cimento queimado, material pouco usado até então. Quando terminamos, pus na cabeça que divulgaria o projeto na revista.

Isso demorou a acontecer?

Não. Achei o telefone da Editora Abril nas páginas amarelas – não havia Google naquele tempo – e liguei para a redação. Quem me atendeu foi o Claudio Yida (ex-editor de arte). Brinquei que estava falando com a pessoa certa, já que o dono de CASA CLAUDIA só poderia se chamar Claudio. Ele achou graça e topou mandar alguém ver o projeto.

E o estilo da decoração agradou?

Uma das produtoras ficou bem impressionada com o apartamento porque realmente apresentávamos algo novo. Daí, mandaram outra editora, mais crítica, que fez várias observações sobre os móveis que havíamos escolhido. Ouvir aquilo foi superimportante para eu me desprender de padrões.

Como foi o retorno da publicação para vocês?

A matéria deu uma belíssima repercussão. Logo depois, o cimento queimado virou moda. Beto e eu nos desdobrávamos para conseguir o que a equipe da revista nos pedia. Se o assunto era cortina, saíamos atrás de uma e, mesmo que não tivéssemos algo na hora, dávamos um jeito de arranjar uma sugestão. Estávamos presentes na publicação, e isso nos projetou. Funcionou como uma porta de comunicação com o Brasil. A revista foi nosso Instagram.

Quando o escritório de vocês começou a trabalhar com design de interiores?

À medida que acabávamos de construir a residência, outro profissional entrava e colocava cereja no bolo, que era a decoração. E ficava com todos os créditos para ele. Isso me incomodava. Foi quando conheci dona Angélica (Rueda) e dona Yolanda (Figueiredo), que eram as donas da Casa Cor. Isso em 1990. Era a segunda ou a terceira edição do evento e os profissionais se uniram, dizendo que não entrariam porque estavam sem dinheiro. Foi assim que os grandes nomes abriram espaço para os novos. Dona Angélica convidou, então, um terceiro time para realizar a mostra. Até aí, Beto e eu não tínhamos projeção. Falei para ele ‘Vamos entrar. É nossa oportunidade, vamos mostrar nosso trabalho. As pessoas vão sentir o cheiro, vão apalpar nosso projeto”. Ele, porém, não se interessou.

E você levou a ideia adiante?

Sim, eu já tinha montado outro local de trabalho. Abri no mesmo ano do Plano Collor. No dia em que mudei, o Collor anunciou o confisco da poupança. Achei que precisava desistir da ideia e pensei em voltar para o escritório da rua Bastos Pereira, que dividia com o Beto. Nós nunca brigamos. A Cristina, minha mulher, insistiu para eu apostar na carreira solo. Por sorte, entraram três clientes que conseguiram segurar meu investimento: um era empresário de ônibus, outro, dono de locadora de vídeo e o terceiro que queria uma casa de quatro dormitórios.

E a Casa Cor?

Fiz sozinho. Da primeira vez, peguei um terraço bem pequeno, mas dei sorte, pois ele virou capa de uma revista. Na seguinte, dona Angélica me ligou e me deu o quarto de hóspedes. No terceiro ano, fui até a casa na rua Noruega para escolher o que faria, mas ela não deixou, disse que era para eu ficar com o sótão, pois era minha cara. Com o sucesso do ambiente naquele ano, virei o João do Sótão. Fui convidado a fazer palestras para falar do espaço. Dona Angélica acabou se tornando uma grande parceira, ela também ajudou a impulsionar minha carreira.

Como você se define?

Sou muito sonhador e também observador. Nunca me vejo de mau humor ou irritado com a vida. Considero sempre os pontos positivos de todas as situações. Sou descontraído, emocional e tento absorver apenas as coisas boas. Vou somando isso no meu trabalho e no meu dia a dia. Quando assumo um projeto, procuro vestir a camisa do cliente, e ele acaba virando meu amigo. A casa não é minha, mas posso ajudar a realizar e a completar sonhos.

Você é perfeccionista?

Sim. Sou virginiano e nunca estou satisfeito com nada. As pessoas ao meu lado sofrem com isso.

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