Sim à mistura de tecidos

As marcas e lojas mais bacanas de tecidos concordam: o reinado do bege arrefece, enquanto cores e estampas entram em cena para vestir a casa.

As marcas e lojas mais bacanas de tecidos concordam: o reinado do bege arrefece, enquanto cores e estampas entram em cena para vestir a casa. E não dá para negar: xadrezes, listras, bolas, florais e arabescos trazem um quê de ousadia à decoração. Aqui, quatro profissionais sugerem combinações harmônicas e cheias de personalidade.

Florais com perfume nostálgico

 

Um dos clássicos da decoração, os tecidos florais costumam evocar as melhores lembranças. Eles têm um apelo vintage e romântico, que nos remete à casa daquela tia querida, define a decoradora Maristela Gorayeb, responsável pelo canto de leitura. Depois de testar combinações entre várias amostras, Maristela chegou à composição final, uma miscelânea harmônica de padrões. O segredo da mistura está na definição de um mesmo grau de tonalidade para as diferentes referências, o que traz unidade ao conjunto. Por isso, escolhi cores esmaecidas, de vibração suave. Repare que a mesma poltrona recebeu dois revestimentos. Apesar do excesso de informação, nada compete entre si.

Flores o ano inteiro

 

Belas e efêmeras, as flores sempre figuraram entre os hits das estampas têxteis. Em qualquer época do ano, sua imagem traz a memória da natureza para dentro de casa. Por isso, os tecidos florais ingleses ficaram tão famosos: tinham a função de evocar a primavera, principalmente no frio, atesta Attilio Baschera, da Again. Nos anos 1960, a estilista inglesa Laura Ashley imortalizou o florido camponês ingênuo. Dez anos depois, foi a vez de outra inglesa a designer Tricia Guild renovar o tema com desenhos estilizados. A tendência atual são as estampas de folhas e pétalas graúdas, diz Eliane Gamal Mesquita, da Safira Sedas.

Preto-e-branco e padrões gráficos

 

Cenário de fundo da sala, a estante preta pautou os tecidos para os estofados. Optei por estampas geométricas marcantes, como as listras do pufe e a clássica pied-depoule da poltrona. Além de casar entre si, estes grafismos em preto e branco permitem pincelar cor em outros detalhes, explica a arquiteta Regina Adorno, que assina o ambiente. Foi o caso do laranja, distribuído em almofadas e acessórios. Por ser quente, o tom levantou o visual, redominantemente escuro. Dica para acertar? Fica mais fácil definir a combinação de padrões quando se começa de uma base monocromática, como aqui. Partir de uma estampa pode ser, a princípio, mais limitador.

Grafismos curinga

 

Listras, bolas, quadrados, xadrezes. Apesar da aparente rigidez de formas, os geométricos estão entre os tecidos mais versáteis de combinar. A história dos desenhos é antiga começou quando o homem pré-histórico intuitivamente cruzou linhas em diferentes ângulos ou rabiscou pontos, criando padrões abstratos e não figurativos. Também está associada à origem das caligrafias e à identificação tribal. Mas algumas estampas acabaram surgindo da observação da natureza, caso do pied-de-poule francês. Ele foi inspirado na marca deixada no chão pelas galinhas, conta o designer Attilio Baschera.

Estampas com sotaque oriental

 

Vestida com uma seda estampada de peônias difusas sobre arabescos, a parede da sala assinada pelo decorador Ari Lyra é o foco imediato de atenção de quem entra no ambiente. A surpresa é reforçada pela ousada mistura de diferentes padrões sobre os estofados. O mix de floral, geométrico e listras infundiu personalidade à decoração, uma das vantagens que o uso de tecidos permite, afirma Ari. Mas a definição das cores também foi fundamental. O amarelo do pufe ilumina o espaço, criando um contraste interessante em relação ao vermelho do sofá. Orquestrado com sabedoria, o visual consegue uma harmonia final nada óbvia, com um leve sotaque oriental.

Releitura do Oriente

 

Sinônimo de um exotismo distante, a história da seda começou na China: os primeiros produtores remontam à dinastia Shang (1500-1050 a.C.). A famosa Rota da Seda descoberta pelos europeus no século 13 trazia para a nobreza tecidos com estampas que se tornaram ícones, como os adamascados e os desenhos de pássaros e flores, popularizados no Ocidente como chinoiserie. Da Índia, vieram sedas ricamente bordadas. Hoje, vemos a volta destes desenhos clássicos reinterpretados. Não há mais o traço oriental literal, e sim uma mistura revista de padrões, afirma Rossana Nogueira, da Rossana Tecidos.

Tons de grafite em visual sóbrio

 

Eleito como o tom protagonista da sala de estar, o grafite tira proveito da diversidade de texturas que reveste estofados e acessórios. Ao usar tecidos, você pode trabalhar com uma única cor sem cair na monotonia, ensina o decorador Beto Galvez, autor do ambiente, ao lado da arquiteta Nórea de Vitto. O resultado é um visual masculino, urbano e ao mesmo tempo glamouroso. Exploramos o contraste entre panos brilhantes e foscos, como o veludo de seda contraposto ao linho. Aqui e ali, detalhes brancos e prateados suavizam o apelo dramático da proposta. É o caso da poltrona de estilo Luís XV vestida de ikat, uma trama de origem indonésia. Ela tem um grafismo contemporâneo que combina com o espaço.

Estampas masculinas

 

Tons escuros e grafismos estilizados codificam um visual mais sóbrio. Daí a presença de estampas geométricas tradicionais nesse tipo de decoração, caso do xadrez. Surgido na Escócia no século 17 para identificar os clãs, ele tem apelo masculino. Seu uso acompanha o retorno dos tecidos de alfaiataria. A novidade está na reinterpretação da padronagem, com quadrados grandes e pequenos na mesma trama, atesta Rossana Nogueira. Ainda na esteira das geometrias, outra aposta é o ikat, produzido na Indonésia e na América Central. A técnica consiste em tecer o fio colorido, sugerindo um aspecto tremido, diz Eliane Gamal.

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