Tendências: o que vai estar na sua casa amanhã

O francês Vicent Grégoire é um daqueles valorizados profissionais que enxergam hoje o que todo mundo vai querer usar amanhã. Diretor de tendências da Lifestyle da Agência parisiense Nelly Rodi, eles se inspira nas viagens, nas redes sociais e nas ruas para captar desejos dos consumidores.

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O francês Vincent Grégoire é um daqueles poucos – e valorizados – profissionais que conseguem ver hoje o que todo mundo vai querer usar amanhã. Diretor de tendências de lifestyle da agência parisiense Nelly Rodi, ele se inspira nas viagens, nos amigos, nas redes sociais e, acima de tudo, nas ruas para captar os desejos dos consumidores. Circula tão à vontade pelo descolado bairro Marais quanto no mercado de pulgas de Vanves, no sul da capital francesa. Foi nesses passeios sem rumo que Grégoire percebeu que, diante da crise que se prolonga em tantos países, as pessoas sentem necessidade de compartilhar não apenas objetos, como também momentos e sensações. O caçador de tendências foi um dos responsáveis pela escolha do tema “sharing” (compartilhamento) pelo salão Maison & Objet deste ano, o rendez-vous incontornável de arquitetos e decoradores. Grégoire recebeu CASA CLAUDIA em seu ateliê no 18o distrito de Paris, entre um labirinto de amostras de tecidos, recortes de revistas e volumosas pesquisas de mercado.

Como você identifica uma tendência?

VG : Uma tendência é uma coisa que, no início, é rara, diferenciada, elitista e até esnobe, mas depois inspira muita gente e acaba se tornando muito comercial, se difunde. A minha profissão é caçar as tendências, percebê-las e desvendá-las. Para isso, preciso olhar tudo. Estou atento aos que aparece nas novas lojas, novos lugares, na rua, nas revistas, nas feiras, nas redes sociais. Ou seja, por todo o lugar. Presto mais atenção àquelas coisas que são demarcadas, descoladas e até esquisitas no início, e me pergunto se mais pessoas teriam vontade de usar aquilo. A maior dificuldade é saber o que é uma boa e o que é uma má ideia. As coisas podem ser de fato importantes, ou serem apenas uma brincadeirinha passageira. Cada um tem o seu estilo, mas todo mundo gosta de andar junto na mesma direção. Quando temos um estilo muito focado em nós mesmos, acabamos um pouco excluídos. Nós precisamos fazer parte de um grupo e, por isso, precisamos de pontos de referência. As tendências são esses pontos. Elas não precisam ser aplicadas ao pé da letra. Elas são impulsos, intuições, inspirações. A gente precisa fazer parte de uma tribo.

Há tendências sobre a temática da natureza, do moderno, do boêmio, do clássico, do rústico, do romântico, do atual, do industrial… Mas, para o interior, há temáticas, cores, materiais, estampas, gestos e valores que correspondem mais. Nós precisamos fazer parte de um grupo. Mesmo que os consumidores digam que não se importam com as tendências, eles gostam de segui-las. E, dentro de uma tendência, gostam de fazer aquilo que eles têm vontade e ser um pouco mais únicos. Mas ficar completamente em ruptura, ser original ou fora das tendências é impossível porque temos necessidade de fazer parte de um grupo.

O que é, para você, a tendência sharing, de compartilhamento? Por que você a escolheu para o salão Maison & Objet?

VG : Nós montamos um pequeno “observatório” e o que nos interessa é destacar uma ideia mais forte, mais importante, mais fundamental, que traduza os tempos atuais. Há, talvez, outras ideias, mas elas nos pareciam menos agudas, menos fortes, menos atuais do que essa do compartilhamento, do “sharing”, do “co”: coletividade, cooperação, associação, dessas novas famílias, da co-construção, a co-criação, coabitação, etc. Estamos em uma época em que precisamos colocar uma pausa no egoísmo, no “eu/meu” dos anos 2000, e entrar em um clima mais “nós”, de conjunto. Então, sentimos que há a necessidade de compartilhar : compartilhar tempo, emoções, valores, objetos, conhecimento, momentos da vida, experiências. Sozinhos, somos frágeis e perdidos. Juntos e quando compartilhamos, somos mais fortes. Além disso, estávamos concentrados em valores muito consumistas e materiais, muito agressivos. Por isso é preciso construir um novo mundo, ou novos mundos, baseados em outros valores. É preciso prestar mais atenção nos outros, mas também em nós mesmos, de formas diferentes. Então, o compartilhamento é um dos valores que nos parece importante.

É uma forma de ruptura?

VG : É uma evolução, é uma mutação. Não colocamos tudo de lado, mas apenas algumas coisas. Por exemplo, tenho uma amiga para quem eu disse : “você tem um carro em Paris. Isso deve custar caro”. E ela me respondeu : “não. Encontrei um serviço onde coloco meu carro à disposição em um site e eu o divido com pessoas que o alugam durante um ou vários dias”. Voilà ! Tenho outro amigo que é professor de francês e que diz que prefere, em vez de receber em dinheiro, dar aulas para pessoas que o retribuam de outras formas. Por exemplo, dar aulas a um cabeleireiro que o pagará com um corte de cabelo. Ou que poderá cortar os cabelos de alguém que vai cozinhar para o professor. Ou seja, há essa necessidade de compartilhar, que também acontece em casa, na decoração.

De que maneira levamos isso para casa?

VG : A casa deve mudar, porque a casa é um lugar de refúgio, de recolhimento, de prazer, especialmente nessa época tensa em que vivemos. O que eu quis expressar na mise-en-scène do que criei para o Maison & Objet é essa nova casa. O que queremos é espaço para poder compartilhar as coisas. Compartilhar um bom momento com amigos no sofá, degustando petiscos que preparamos para comer. Ou estar com os filhos assistindo a um filme, ou jogando videogame com os amigos. Ou mesmo dividir informações, receitas, objetos de decoração que compartilhamos na internet também. O carro também é uma nova casa e queremos compartilhá-lo quando vamos de um lugar a outro. O objetivo é economizar dinheiro, mas também encontrar pessoas simpáticas e viver um momento agradável. Antes, quando recebíamos visitas, oferecíamos porções individuais, para cada um curtir no seu canto. Agora, queremos colocar um grande prato no meio da mesa para todo mundo comer junto. A ideia é como uma grande salada, para a qual cada um traz um ingrediente e depois a comemos todos juntos. Hoje, quando recebemos pessoas em casa, a moda é fazer um buffet, um slunch, brunch, ou umdrunch.

Outras partes da casa também entram nessa tendência?

VG: Claro. Queremos camas maiores para passarmos bons momentos com os filhos e fazer outras coisas nelas. Compartilhamos nossos produtos no banheiro. Dividimos tempo, espaço, objetos, valores. E, na casa, o que eu acho interessante é que podemos fazer tudo isso com uma só ferramenta: a digital. A revolução para a casa é a chegada do digital. Nós compartilhamos informações porque eles estarão conectados aos smartphones. Assim, podemos compartilhar receitas dos sites ou escolher nossos objetos de decoração ou móveis na internet. As ferramentas digitais são revolucionárias para a casa. Na cenografia da Maison & Objet, também compartilhamos o esporte. Por isso, eu escolhi um fla-flu para ilustrar esse momento de diversão com nossos amigos. Eu também optei por muitas mesas grandes para salas de jantar, porque essa é a tendência do momento: as mesas podem se transformar em mesas de ping-pong ou mesas que possamos reutilizar para fazer outra coisa depois das refeições. Graças a essas ferramentas digitais, eu identifiquei quatro linhas dentro desta tendência: em torno do jogo e desse espírito de compartilhamento dos jogos; as cores, que vêm dos video-games, do digital, como preto, branco, prata, e tons de cores quase fluo e vivas, como um arco-íris; os tecidos, que também estão mais contemporâneas devido a essa influência do digital atualmente; e as estampas. Fazemos uma foto e a compartilhamos, mas ela também pode servir de inspiração para o papel de parede ou para a roupa de cama. E agora poderemos escolher e imprimir nossas próprias estampas ou outros objetos através das impressoras 3D. Tudo isso faz parte do jogo, grafismos inspirados em video-games, no ping-pong, nos jogos online, como o Candy Crush ou os Space Invaders. . A casa se movimenta porque há esses quatro centros de interesse que são fundamentais e que trazem uma nova energia para a decoração. É por isso que temos mesas grandes, sofás grandes, bem confortáveis, onde podemos nos instalar para jogar. É importante destacar o papel da mesa nessa casa – ela voltou com tudo. As novas mesas são bem grandes e redondas, para estarmos todos juntos. E, por isso, os pratos também ficaram maiores, para dividirmos pizzas ou grandes porções. Também temos estampas inspiradas nas comidas. As imagens que mais fotografamos e colocamos nas redes sociais são as de comida. Então, em termos de estilo, isso também é uma influência para a criação de novas tendências. Cores, estampas, ingredientes ou alimentos… E também há a tendência do “trompe l’œil”, da imagem que engana, com efeito pixelado, ou fotos hiperrealistas nos objetos de decoração. As estampas também se inspiram nos emoticons e nos desenhos que encontramos na internet, como os likes. Em termos de tendências, essa casa tinha se mais burguesa nos últimos anos. Antes queríamos beges, coisas retrôs e vintage. E agora queremos coisas mais pop, mais glamourosas, às vezes até kitsch e mais preciosas, mas também queremos que a casa esteja cheia de vid.a

A casa se orgulha de mostrar que está integrada ao mundo digital?

VG: Sim, e vemos isso principalmente através da música. As novas caixas de som ou fones de ouvido bacanas têm destaque. E compartilhamos essa música que gostamos através de aparelhos hifi, de móveis para as caixas de som ou sofás onde possamos nos sentar para escutar música. Voilà essa casa que se move.

Você disse em uma entrevista recente que a nova geração abre mão de objetos, mas não de objetos como smartphones e tablets, que são como peça de mobiliário, tudo está dentro. Como é isso? A vida pode ser então mais compacta, mais leve?

VG: A nova geração precisa de menos objetos. Ela cresceu durante a crise, então, ela sabe reciclar, recuperar, ela troca, ela pede emprestado.. E outra coisa que essa nova geração não quer perder são os amigos. Não estamos mais dentro daquela tendência egoísta onde pensamos que vivemos sozinhos. Ao contrário, mesmo se o apartamento ou a casa são pequenos, é preciso que haja amigos, muita vida, bichos de estimação, crianças. Isso obriga a geração dos nossos pais a se questionarem, porque, para eles, a decoração tem a ver com possuir muitas coisas. Já, para a nova geração, é ter menos coisas. E ter tempo, ter liberdade, ter acesso a tudo através dos smartphones. Passamos a questionar o materialismo e a ir em busca de coisas mais abertas, de novos serviços, novas colaborações. Ou seja, a nova geração está menos interessada no acúmulo.

Hoje as pessoas querem uma casa ou um apartamento cada vez mais único, pessoal. Como os arquitetos e as marcas podem se adaptar a essa demanda?

VG : As casas têm que ser sinceras, cheias de emoção, cheias de vida, porque elas têm que contar histórias. E durante um certo tempo, a decoração era muito estática. Não há nada pior do que um decorador que faça tudo na sua casa. Ele pode te dar ideias, mas hoje em dia o consumidor é seu próprio decorador. É preciso que os decoradores levem as pessoas para dentro de seus próprios universos, e sobretudo as marcas. Na verdade as lojas, os shopping centers, os bares, os hotéis, precisam ser lugares que lancem ideias. Os lugares de efervescência não podem ser estáticos.

Recentemente você também disse que nos falta um pouco de “loucura”. Por quê?

VG : Porque, nesses últimos anos, tínhamos muito medo. Vivíamos no retrô, no vintage, tudo tinha que ser burguês, clássico, precisávamos que o estilo se conservasse bem no tempo. Mas, pouco a pouco, tentamos domar o futuro e pensar que talvez tudo será melhor amanhã. Devemos nos autorizar misturar o kitsch e o chique, e inventar novas preferências.

Você já prevê uma outra tendência que venha após essa do digital?

VG : Digital é uma ideia de fundo, é mais que uma tendência, é uma época. Estamos em uma era da revolução digital. Talvez no futuro tenhamos o pós-virtual. Mas, para isso, teremos que esperar um século. O século 21 será do digital. E essa novas mecânicas vão ter consequências sobre o corpo humano e muitas outras coisas. O corpo vai ser modificado e o meio-ambiente vai se transformar. Se não respeitarmos o planeta, desapareceremos mais rápido do que imaginávamos. As questões ecológicas e ambientais são fundamentais. As novas tendências giram em torno do novo precioso, do novo barroco, misturado ao bom humor. Isso é algo que muda. O futuro irá, cada vez mais, nessa direção. Podemos ser luxuosos, mas com bom humor. Então, vamos ter uma nova forma de elegância, uma espécie de surrealismo e fantasia, com o suporte do digital. Eu chamo isso de “gloumur” : uma mistura de glamour e humor. E no Brasil já existe uma corrente dentro deste espírito.

Você conhece o design brasileiro? O que acha?

VG : Sim, há uma bela energia brasileira. Eu gosto do descompromisso, da liberdade, e também desse espírito de fusão. A herança de várias culturas, como a asiática, a japonesa, a alemã, a africana, a portuguesa, é uma sorte extraordinária ! É preciso que isso não se converta em uma caricatura, mas, ao mesmo tempo, tudo é possível no Brasil. Há muitos contrastes e fontes. E, ao mesmo tempo, se não estivermos atentos, tudo isso pode se acabar também. Havia designers apaixonantes nos anos 50 e 60 no Brasil, mas é preciso sair das homenagens e sempre reencontrar novas energias. Há essa energia brasileira e sul americana, latina. É curioso porque, no Brasil, se compartilha muito, mas ao tempo, não o suficiente, porque as classes sociais não se misturam. Esse é o problema do Brasil : a elite que consome tendências e que mantém distância. É por isso que é necessário um pouco mais do “friendly”, do “sharing”.

E quando você pensa na casa, qual é o maior objeto de desejo hoje e nos próximos anos? Talvez seja o espaço?

VG : Sim, isso é claro. A tendência é de privilegiar a qualidade do volume, dos materiais, tudo o que eu mesmo chamo de “atmosphéerique” [mistura de atmosfera com fantasia]. É, a priori, aquilo que não se vê: a boa temperatura, o bom ar filtrado, a boa luz, a boa acústica, ou seja, tudo o que é quase imaterial, mas que é fundamental. E esses são os grandes desafios para o futuro: controlar a qualidade do ar, da água, da acústica, enfim, dar prioridade a toda essa dimensão do conforto. Será que precisamos mesmo de todos esses objetos que ocupam o espaço? Talvez eles me dêem confiança, mas talvez, se eu tiver menos e melhor, será mais interessante.

A imprensa mostra a decoração interior como algo acessível a todos, mas ao mesmo tempo há uma “glamourização” da decoração que não é acessível a todos.

VG : Sim, você tem razão. Isso acontece porque é necessário fazer as pessoas sonharem, em todos os sentidos. É preciso criar sonhos para impressionar, inspirar, e também é preciso insistir nessa ideia da acessibilidade. A imprensa tem que criar sonhos. Se ela for muito pragmática ou muito distante, não funcionará. A mídia está aí para mostrar o caminho, dar ideias, servir de inspiração, esclarecer, alertar.

Neste momento, vários países passam por uma crise econômica, política, social. Como podemos fazer para não levar esse pessimismo da rua para nossas casas?

VG : Se há algo que podemos agradecer à crise ou às crises é que, nos anos 2000, nós vivíamos nos exteriores. Todas as tendências se concentravam em se mostrar e viver fora de casa. Desde 2009, a tendência mudou para dentro do lar, porque, quando estamos fora, tudo é agressividade, poluição, problemas… E dentro de casa é onde devemos nos sentir bem. Elas são nosso segundo corpo, nossa segunda proteção. A casa é um lugar de recolhimento, de bem-estar, de equilíbrio, de harmonia, e tudo isso nos é fundamental. É por isso que dentro de nossas casas temos o mundo a partir de uma janela de um tablet ou de um computador. Graças ao mundo digital, a casa é um lugar de plenitude, de serenidade, mas também de abertura. Isso acontece devido à crise. Mas também porque é importante buscar novas ideias. O que não pudermos fazer fora de casa, podemos fazer dentro dela. Podemos ser loucos e nos liberar nas nossas casas, sem nos importarmos com o que as pessoas vão pensar.

E nesse contexto, você consegue ser otimista ?

VG : Eu sou um otimista preocupado. Nós vivemos um período revolucionário. Há todo o tipo de mudanças. Sempre faço comparações com a Renascença. Cristóvão Colombo, o Descobrimento das Américas, até mesmo do Brasil. Onde está o novo Brasil ? Talvez esteja muito longe: no céu, no fundo do mar, do outro lado da Terra. Por que a nova geração europeia quer ir ao Brasil, à Argentina, à Austrália? Os jovens querem ir mais longe em seus corpos, suas emoções. Hoje temos revoluções técnicas, tecnológicas e científicas, como na Renascença. Com as ferramentas digitais, a realidade aumentada, o 3D, em breve teremos telas holográficas. E isso não é ficção científica ! Vivemos um momento econômico que se transforma também, devido à cooperação, à associação, como durante a Renascença. Há pessoas que têm medo deste mundo em transformação e que vão às ruas defender sistemas ultrapassados, modelos de família antigos, velhos modelos econômicos. Elas não são muitas, mas elas gritam mais forte porque elas têm muito medo.

Para você, é importante saber qual é a origem dos materiais com os quais você trabalha?

VG : Claro. E é por isso que eu digo que os decoradores ou arquitetos têm que contar histórias. Quem fez os móveis e objetos, de onde vieram, com o que e como foram feitos. Mas se utilizamos uma árvore, é preciso replantar outra. É preciso ter uma ideia sustentável das coisas. Muitas pessoas ainda não se importam com a preservação do meio ambiente. Mas elas vão sentir quando tiverem problemas.

 

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