25 anos do melhor design

Uma seleção das peças vencedoras do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, que completa 25 anos.

Com um recorde de inscrições – 810 produtos, 50% a mais do que no ano passado –, o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira chega à sua 25ª edição como um marco na história criativa do país. Entre as eleitas pelo júri, escolhemos 13 peças que refletem a diversidade e a excelência da premiação. A exposição com os 60 finalistas vai até 15 de janeiro na sede do museu.

 

Entrevista com arquiteto catarinense Jader Almeida

 

Design premiado

Aos 30 anos, o arquiteto catarinense Jader Almeida é considerado um dos expoentes de nosso design, com uma produção profícua e vários prêmios, nacionais e internacionais. Há seis anos, ele ocupa a direção de arte da fábrica de móveis Sollosbrasil, em Chapecó, SC.

 

Você já foi três vezes finalistas do prêmio….

Em 2008, tive três produtos finalistas e um foi para a exposição. Em 2009, me deram uma menção honrosa com o banco Matriz. E mais duas peças participaram da exposição: o carro-bar Teka e cadeira Finn.

 

Desta vez, você se consagrou o grande vencedor com dois primeiros lugares e um segundo lugar. Como recebeu essas premiações?

Primeiro veio todo o peso da tradição do prêmio. A partir do momento que você começa a trabalha na área, passa a ouvir sobre essa premiação. Acho que ela tem um valor que transcende o prêmio em si. Depois, veio a felicidade de ganhar nesta edição especial. Posso dizer que a emoção e a satisfação foram triplas.

 

Blade  resgata nossa tradição do móvel de madeira e o Phillips usa aço maciço na estrutura. Qual desses materiais você se sente mais confortável de trabalhar?

Um dos jurados me disse na festa de premiação que não imaginava estar contemplando duas vezes com o primeiro lugar a mesma pessoa e o mesmo fabricante. Realmente são dois conceitos de material, mas as propostas de desenho são as mesmas. Ambos são minimalistas, têm execução bem feita e podem ser produzidos em série. O banquinhoPhillips tem uma abordagem mais lúdica, é uma peça que pode ser levada para todos os cantos e também serve de mesa lateral. Já o banco Blade segue uma linha mais tradicional e sofisticada no acabamento. Tem sutileza de detalhes, mas também é feito em escala industrial.

 

E qual dos dois representa mais seu estilo?

Eu tenho um desenho mais conservador. Não, conservador não é a palavra. O que eu quero dizer é que não sou um designer experimental. Tenho um estilo mais reto, busco a atemporalidade no traço. Faço produtos com valor durável, que têm bom desenho e uma boa aceitação do público. Sigo à risca os dez princípios do bom desenho do designer industrial alemão Dieter Rams. O produto tem de se fazer entender por si só, não deve haver explicação por trás dele. O bom design é autoexplicativo.

 

Você já foi laureado duas vezes com o iF, ganhou o Idea e, agora, foi consagrado no Prêmio Design Museu da Casa Brasileira. Falta mais algum prêmio?

Diria que as premiações são consequência do trabalho. Todos os produtos que inscrevemos não nascem para concorrer em um concurso. Nascem de um estilo de desenho, de um conceito. Todos estão à venda e são sucessos comerciais, de crítica e projeto. Selecionamos a coleção atual e colocamos alguns produtos para concorrer. O prêmio é uma recompensa, uma chancela do trabalho que fazemos na Sollosbrasil. Vou continuar buscando o iF, que é o mais significativo prêmio de design do mundo, e o Idea, que é o mais importante dos Estados Unidos. Quero também me inscrever no Red Dot, mas ainda não sei qual produto escolherei.

 

Você tem vontade de desenhar para empresas estrangeiras?

Fui convidado recentemente por uma empresa tradicional de Milão, na Itália, a conhecer suas instalações. Ainda estamos conversando sobre uma parceria. Eles gostaram do meu desenho e estão procurando alguém para trazer mais vigor à marca. Desenhei também um produto para uma indústria alemã, que pode ser lançado na próxima feira de Milão.

 

Você sentiu muita diferença da indústria daqui para as do exterior?

Estamos no mesmo patamar de desenho e algumas indústrias brasileiras têm até o mesmo nível de equipamentos. Acho, porém, que ainda falta difundir a cultura do design no país. Não no sentido do desejo e da arte. Vejo que até gente instruída não consegue distinguir o bom design do ruim. Talvez ainda estejamos em um processo de amadurecimento. Precisamos entender que o design faz parte do processo de fabricação de um produto. Não é só uma questão de estética, mas ele agrega valor. Quando se investe em design, toda a cadeia ganha.

 

Como você enxerga o design brasileiro hoje?

Temos muito mais a oferecer e com uma estética sofisticada. Há uma nova geração, na qual me incluo, que está apresentando a estética da leveza. Acho que nosso maior trunfo é a grande diversidade do país: de referências, multicultural e multifacetada. Temos o luxo e a pobreza na mesma dose e isso nos torna únicos. Temos o que há de melhor e o que há de ruim. Esses extremos nos obrigam a ter inteligência para criar mecanismos sofisticados com baixo custo e baixo investimento. Hoje estamos conseguindo nos equipar com maquinário sofisticado e isso começa a fazer diferença no cenário internacional.

 

Entrevista à editora Regina Galvão

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