Artista plástica Adriana Varejão lança instalação e livro

A artista plástica Adriana Varejão lança Polvo, instalação com telas e múltiplos de caixas de tintas, e livro em parceria com antropóloga Lilia Moritz Schwarcz.

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Em 1976, quando os técnicos do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) saíram às ruas para definir a “cor” do brasileiro, eles faziam duas perguntas. Uma delas, induzida, indicava as seguintes alternativas de respostas: branca, preta, parda ou amarela (indígena não existia). A segunda, aberta, oferecia ao pesquisado a oportunidade de responder o que acreditasse ser mais verdadeiro. Dali, surgiram impressionantes 135 respostas diferentes, como alvinha, bem-morena, canela, enxofrada, melada, retinta, tostada.

Tamanha variedade de definições chamou atenção da artista plástica Adriana Varejão, que se debruçou sobre essa pesquisa desde 1990, e oferece ao público, no galpão Fortes Vilaça, na Barra Funda, em São Paulo, a série Polvo, em que discute essa questão em profundidade, com a apresentação de telas e múltiplos de caixas de tintas.

Adriana selecionou 33 nomes da lista da década de 70 e criou tintas a óleo baseadas em tons de pele. A instalação, que já foi exibida em Londres, na Victoria Miro Gallery, e depois de São Paulo, segue para Nova York, é composta de duas partes: retratos hiper-realistas pintados por Ana Moura e que sofreram intervenção posterior de Adriana, e um múltiplo em formato de caixa de madeira, de 200 exemplares, com as tintas que ela criou.

“Cor é linguagem”, diz Adriana, ao lembrar exemplos como o da tribo na Indonésia, cujos habitantes não nomeiam as cores, ou dos esquimós, que possuem muito mais classificações para tons de branco do que nós. “Quando nomeamos todos esses matizes de peles, a gente dilui a questão das grandes raças – conceito, aliás, já derrubado por terra pela biologia”, completa.

A série Polvo dialoga com outros trabalhos da artista como Ex-votos e peles (1993), Testemunhas oculares, x, y e z e Castas mexicanas: espanhola, mestiça e castiça (ambos de 1997), que lidam com questões como miscigenação, colonialismo e a cor da pele. “Gosto do barroco porque é uma resposta ressignificada, latina, à Europa; uma espécie de contraconquista”, acrescenta.

Junto com esse trabalho, será lançado o livro Pérola Imperfeita: A história e as histórias na obra de Adriana Varejão (Editora Cobogó e Companhia das Letras). A publicação, assinada em parceria com a historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, realiza um amplo mergulho na trajetória da artista, iluminando as referências de seu processo criativo.

Adriana Varejão – Polvo

Abertura: 05.04.14, das 11h às 15h (para convidados); das 15h às 18h (aberto ao público)

Exposição: 05.04.14 – 17.05.14

Galpão Fortes Vilaça

Rua James Holland, 71, Barra Funda | São Paulo – SP

Tel: 11 3392 3942 ou pelo site

Livro

Pérola imperfeita: A história e as histórias na obra de Adriana Varejão

Autoras: Lilia Moritz Schwarcz & Adriana Varejão

Editora: Cobogó e Companhia das Letras

Preço de capa: R$ 90,00

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