Biblioteca Mário de Andrade: história recuperada e atualizada

Com um currículo repleto de projetos públicos e residenciais, o arquiteto José Armênio de Brito Cruz fala sobre a reforma da biblioteca e suas inspirações.

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À frente do escritório Piratininga Arquitetos Associados e do departamento de São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), além de lecionar na Escola da Cidade, José Armênio de Brito Cruz é um arquiteto envolvido intensamente com seu entorno. Ao chegar para a entrevista, marcada no período da manhã, ele se desculpa da demora de poucos minutos e justifica: “Costumo usar transporte público em alguns dias da semana. Moro perto de uma estação de trem e o escritório fica no centro, então, fica fácil, mas às vezes atrasa”.

Antes de tudo, cidadão e habitante paulistano, Armênio tem como premissa para seu fazer arquitetônico o bem-estar das pessoas, incluindo um transitar pela cidade mais saudável do que se vê hoje em dia. Entre tantos projetos para a área de habitação, saúde e cultura, está a reforma da Biblioteca Mário de Andrade, no centro histórico de São Paulo. Projetado pelo arquiteto Jacques Pilon (1905-1962) e inaugurado em 1942, o prédio de estilo art déco ganhou uma nova estrutura, que reafirma a vocação original do espaço, voltado para a difusão da cultura na cidade. A seguir, Armênio fala sobre essa experiência e também revela seu universo de referências e inspirações.

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Quais são as principais características do projeto de restauração?

A questão da modernização e viabilização do prédio, construído na década de 1940, para adequá-lo aos dias de hoje. A Mário de Andrade é tombada como patrimônio histórico da cidade. Por isso, o projeto que elaboramos tinha o objetivo de atualizá-la para as necessidades dos tempos atuais e acomodar os mais de 3,3 milhões de itens documentais que compõem o acervo. Deparávamos com uma estrutura que demandava restauro, recuperação, conservação e manutenção de elementos construtivos datados daquela época. A ideia, então, era dotar o prédio de estrutura para transformá-lo em uma biblioteca moderna, com o desafio de fazer a nova estrutura funcionar em uma edificação tombada.

De onde veio a inspiração?

A inspiração é a própria realidade que encontramos, a situação do prédio e a demanda. O projeto em si é uma questão a ser respondida. São Paulo tinha que receber uma biblioteca moderna e contemporânea. Essa é a inspiração, o desejo de transformação da realidade. A arquitetura é uma forma de conhecimento e através dela a gente conhece o mundo e age como um elemento de participação.

O que esse trabalho significa para você?

Para mim tem um significado muito especial. Desde que me formei na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo [FAU-USP], deparo com a contradição que é o centro: abandonado por um desenvolvimento urbano cruel, que vai expandido a cidade sem medidas para longe, esvaziando o coração da metrópole. Trabalhar esse projeto, que é simbólico para o que chamamos de centro novo, para mim significa o resultado da minha trajetória. Minha dissertação de mestrado foi sobre essa região e englobou, inclusive, a biblioteca.

Defina o projeto em uma frase.

Um passo na recuperação do centro da cidade de São Paulo.

Que personalidades você admira?

Entre os arquitetos atuantes, Paulo Mendes da Rocha e Richard Rogers. Do passado, Vilanova Artigas, com o prédio da FAU-USP, que é muito significativo para mim, Alvar Aalto e Richard Neutra. No cinema, um filme que acho belíssimo é Edifício Master, porque o diretor conseguiu mostrar a relação entre a arquitetura e a vida das pessoas. Também gosto muito de O Ovo da Serpente, de Ingmar Bergman. Na literatura, gosto dos romances, que são quase um épico do cotidiano, em especial os do escritor americano John Irving. Também aprecio bastante os poemas de Antonio Carlos de Brito, o Cacaso

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