Com verde, tecnologia e planejamento, 3 cidades do futuro dão o exemplo

Projetos de ecocidades que usam a tecnologia e o planejamento urbano para servir aos habitantes de agora e do futuro. Lições que as cidades brasileiras poderiam pôr em prática.

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, em 2050, 70% da população do mundo viverá em cidades – ou 6,4 bilhões de um total de 9,2 bilhões de seres humanos. Mas os habitantes das metrópoles nem precisam de dados para saber que a vida anda difícil. Poluição, lixo, falta de transporte público, trânsito, superpopulação e altos custos de moradia são problemas do cotidiano de quem mora no Brasil, nos Estados Unidos, na China ou até na pacata Holanda.

A solução, para alguns governos, está na criação de bairros ou cidades planejados. O conceito, claro, não é novo. Mas agora se empreendem esforços para criar bairros e cidades sustentáveis e inteligentes. Para se  encaixar nessa categoria, a declaração da World Ecocity Summit de 2008 diz: “No futuro, as cidades em que moramos deverão permitir às pessoas viver em harmonia com a natureza e alcançar o desenvolvimento sustentável. As ecocidades são voltadas para os seres humanos e requerem um entendimento completo das interações complexas entre os fatores ambientais, econômicos, políticos e socioculturais baseados em princípios ecológicos”.

SONGDO, na Coreia do Sul

 

Com um investimento previsto de 35 bilhões de dólares, em uma área de 6 mil m² perto de Seul, Songdo foi desenvolvida pela empresa Gale International para virar um polo de negócios e moradia para 65 mil pessoas. O master plan do Kohn Pedersen Fox Associates, de Nova York, começou a ser colocado em prática em 2000 e só deve ser completado daqui a quatro anos, mas cerca de 27 mil habitantes já estarão vivendo na nova cidade até o final de 2012.

Songdo oferece diversos equipamentos: são 4 km² de escritórios, 3 km² de moradias, 1 km² de comércio, além de hotel, hospital, escolas, centro de convenções, campo de golfe, museu e um sistema de transporte amplo com vistas a minimizar o uso de carros. “As cidades do futuro oferecerão uma grande variedade de lugares e experiências a seus habitantes, minimizando a necessidade de viajar grandes distâncias”, afirma Richard Nemeth, do Kohn Pedersen Fox Associates. “Songdo traz a seus habitantes trabalho, moradia, recreação, cultura, saúde e educação por meio de sistema público de transporte ou caminhada.”

No projeto, foram criados edifícios altos para liberar espaço para parques e áreas verdes, inspirados em coisas que deram certo em outros lugares. “Desenhamos Songdo baseados no que funciona há gerações em grandes cidades do mundo”, diz Tom Murcott, vice-presidente executivo do Departamento de Investimentos Globais Estrangeiros da Gale International. “Do nosso canal de água salgada ao Central Park e aos 24 km² de ciclovias, todos são benefícios comprovados que oferecem melhor qualidade de vida aos cidadãos.” O  planejamento prevê a expansão da cidade, algo inevitável no futuro. A tecnologia ajuda e muito: o monitoramento do lixo, do consumo de energia e do uso de água é feito por um sistema interligado, que permite ao governo e aos cidadãos um controle melhor dos recursos.

MASDAR, em Abu Dhabi

 

O projeto da cidade de Masdar, em Abu Dhabi, foi encomendado ao escritório de arquitetura inglês Foster + Partners para ser uma cidade de 42,5 mil habitantes e trazer 35 mil trabalhadores de outras localidades aos 6 km² – a primeira fase será completada neste ano. O objetivo da Masdar City, estabelecida pelo governo de Abu Dhabi, um dos Emirados Árabes Unidos, é explorar tecnologias sustentáveis aliadas a um planejamento urbano inspirado nas tradições árabes.

Os edifícios foram planejados para utilizar metade da energia e da água normalmente gastas em prédios do país. O centro de pesquisas Masdar Institute, dedicado a estudar novas tecnologias, produz toda sua energia por meio de painéis solares. “Muitos sonharam com um projeto que usaria apenas energia solar. A abertura do Masdar Institute é a realização dessa busca”, disse Lord Norman Foster, arquiteto responsável, na inauguração. “É um experimento ousado que vai mudar e evoluir ao longo do tempo – no momento,  ele já abriga 12 projetos diferentes  de pesquisa com potencial para aplicação mundial.” Em geral, as construções providenciam sombreamento para si próprias, para aquelas que estão ao redor e para as ruas – uma qualidade bem-vinda, dado o calor que faz na região.

Masdar também recorre ao transporte público para tornar a cidade mais agradável. Trem, metrô e os veículos PRT (personal rapid transit), elétricos e pilotados não por um motorista, mas por um sistema de navegação, estão sempre a uma distância máxima de 200 m. Carros movidos a combustível fóssil não serão vistos nas ruas. Em Masdar, a utopia já chegou – ou está muito próxima de ser alcançada.

IJBURG, bairro de Amsterdã, na Holanda

 

Amsterdã ainda não sofre com a superpopulação, mas a verdade é que também tem lá  seus problemas. “No último quarto do século passado, muitas pessoas deixaram a cidade, procurando lugares mais baratos para morar. Acabaram em municípios vizinhos, mas continuaram trabalhando em Amsterdã. Isso resultou num aumento do tráfego e dos congestionamentos”, explica o porta-voz da prefeitura da cidade. Para minimizar a questão, em 1997 um referendo aprovou a criação de um novo bairro, ao lado do IJmeer, lago na zona oeste da capital.

O plano urbanístico do escritório holandês Palmboom & Van den Bout previu a construção de sete ilhas artificiais, em vez de uma área contínua, para aumentar o contato dos 45 mil moradores com a água. Por enquanto, três foram implementadas. Em Steigereiland, por exemplo, a proposta é de colagem urbana: cada um dos quarteirões tem características próprias. Normalmente, há um arquiteto para cada blocos. Haveneiland é mais clássica, enquanto Rieteilanden é livre para projetos arquitetônicos individuais dos moradores. O transporte é feito por bonde, ônibus aquáticos e compartilhamento de carros e táxis, mas IJburg também está preparada para o metrô. “Os planos são direcionados para uma população imprevisível e diversificada. Por isso, a maior parte dos edifícios é flexível, podendo ser usada para residências, escritórios ou hotéis. Aprendemos que bairros unilaterais não estão preparados para o futuro”, afirmou o porta-voz. Sendo assim, ampliações e melhorias foram previstas: o bonde tradicional pode ser substituído por um de alta velocidade, as barreiras de contenção de água, questão importante na Holanda, podem ser elevadas. IJburg pode não almejar ser um bairro do futuro, mas certamente está pronto para quando ele chegar.

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