De Bom Jesus a Milagres: um ensaio fotográfico sobre o sertão da Bahia

Em seu mais novo trabalho, o fotógrafo Claudio Edinger dedicou a particularidade de seu olhar às cores e figuras do sertão baiano.

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No último dia 3 de maio, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, o MIS, uma longa fila se formou no espaço onde eram inauguradas as mostras dos brasileiros Claudio Edinger e Ozualdo Candeias, do pai da pop art Andy Warhol e do húngaro André Kertész. As pessoas ali desejavam não apenas contemplar as fotografias, mas principalmente conseguir o autógrafo de Edinger, que aguardava com a caneta a postos no início da fila, pronto para gravar exemplares de seu mais recente trabalho: o livro De Bom Jesus a Milagres, da Bei Editora. Rodeado por uma seleção de 40 imagens da série, ampliadas em papel-algodão tamanho 140 x 170 cm, o fotógrafo tinha grandes motivos para comemorar: 60 anos completados na data, o lançamento de seu 15º livro e uma carreira de quase quatro décadas repleta de prêmios. Conquistou sua primeira Leica Medal of Excellence com retratos feitos durante os anos 1970 e 80 no emblemático Hotel Chelsea, edifício nova-iorquino onde moravam Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan e outros excêntricos da cena. 

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De volta ao Brasil, dedicou-se à dramática série Madness, um relato da vida no maior hospício da América Latina, em São Paulo, e seguiu com as inquietações que impulsionam sua arte. Na busca pela própria identidade, voltou seus cliques para o Carnaval do Rio de Janeiro, onde nasceu, mas não chegou a residir, e a São Paulo, sua morada há anos e à qual se refere como “minha estranha cidade linda”. Em 2005, iniciou pela cidade de Bom Jesus da Lapa, à margem do rio São Francisco, a mais recente viagem, que resultou no livro e na exposição. “Continuei minha procura, dessa vez pela identidade nacional, e encontrei o coração do Brasil: o sertão baiano”, conta Edinger. Foram sete anos, cinco viagens, 2 mil chapas de filmes 4 x 5, 400 polaroides e 20 mil km percorridos na “peregrinação” a Milagres, situada a 200 km de Salvador. O fotógrafo aprofundou-se nos estudos do foco seletivo e conseguiu resultados poéticos ao configurar um mesmo plano ora em foco, ora desfocado. “A imagem é desestabilizada de tal forma que a escala de volumes se torna uma vertigem. Grande ou pequeno? Real ou imaginário?”, pondera o crítico Eder Chiodetto na introdução do livro. Já o fotógrafo diz que selecionar o foco significa representar a dualidade, o grande mistério, o ponto e o contraponto, a luz e a sombra. O drama resulta também dos contrastes, é como se as tonalidades fortes – e não as figuras – fossem as responsáveis por emocionar o espectador. “As cores parecem suprir as necessidades físicas. Trazidas pelo homem, injetam transcendência no sertão estéril”, revela Edinger.

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