Design português: conheça o trabalho do Estúdio Pedrita

Com data marcada para lançar novo projeto no Brasil, os jovens designers Pedro e Rita mostram que é possível produzir design atual sem se esquecer das origens.

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O futuro costuma se fazer presente em quase todas as criações de design. Busca-se colocar em uma peça o que é mais inovador. E nesse caminho o passado, muitas vezes, acaba sem ter tanto valor. Mas por que não adaptar técnicas antigas e utilizá-las agora? É o que os Pedrita – a dupla de jovens portugueses formada por Pedro Ferreira e Rita João – vêm buscando em seus trabalhos, que resultam em viagens internacionais e reconhecimento. Eles estiveram no Brasil em fevereiro de 2012 para participar da segunda edição do projeto A Gente Transforma, comandado pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum, e já têm data marcada para voltar e lançar por aqui um de seus projetos.

Embora tenham começado sua trajetória em Portugal, a história dos Pedrita logo foi escrita em outros lugares do mundo. Eles se conheceram na Faculdade de Arquitetura de Lisboa, onde fizeram trabalhos e projetos juntos durante os cinco anos do curso de design de produto. A instituição deu uma bolsa a cada um: Rita foi estudar em Delft, na Holanda, e Pedro em Milão, na Itália. Quando estavam no último ano, surgiu a oportunidade de estagiarem na Fabrica, centro de comunicação do grupo Benetton, em Treviso, Itália. “Foi um período muito intenso. Tivemos oportunidade de colaborar com muita gente de várias áreas criativas e de muitos lugares do mundo”, lembra Rita. Lá, os dois ficaram durante três anos e passaram de bolsistas a coordenadores do departamento 3D. Mas a vontade de trabalhar em projetos próprios foi ficando cada vez maior. “Parecia que o salto tinha sido muito rápido e que ainda nos faltava experimentar muitas coisas! Assim, decidimos voltar para Portugal e arrancar com nosso próprio estúdio”, conta a designer. Em 2004, partiram da Itália, e, no ano seguinte, o Estúdio Pedrita já estava funcionando.

A união de Pedro e Rita no nome já era um apelido dado pelos amigos, pois, assim como o renomado casal de designers americanos Charles e Ray Eames, os dois trabalham sempre em conjunto. “O nome colou, e na hora de batizar o estúdio todos perguntavam se já não era Pedrita. E ficou Pedrita”, diz Rita. Por ainda serem novos no mercado, eles apostam em trabalhos criativos propostos por si mesmos. Fábrico Próprio, lançado em 2008, é um exemplo. Coordenando uma equipe de cerca de 30 pessoas ao lado do designer Frederico Duarte, eles elaboraram uma espécie de enciclopédia dedicada à pastelaria semi-industrial portuguesa, revelando as histórias que estão por trás de cada doce. Segundo Pedro, o projeto surgiu para mostrar que o design pode e deve ser uma disciplina transversal a muitas áreas, inclusive a culinária, em que cada novo detalhe visual de um bolo pode sugerir outra interpretação. Deu tão certo que em menos de um ano as vendas se esgotaram. Em 2012 lançaram a segunda edição, que já tem data para chegar ao Brasil: dia 30 de abril, no Palácio de São Clemente, Rio de Janeiro. Depois, deve passar por São Paulo e Nova York.

A inspiração para resgatar a cultura portuguesa já vem de muitos anos. O avô de Pedro era dono de uma empresa de cerâmicas e tinha muitos azulejos antigos sem utilidade. Os jovens designers decidiram usá-los para criar Grão, espécie de mosaico gigante em que cada azulejo funciona como um pixel, formando uma grande imagem quando combinados. O projeto foi acolhido pelo Museu Nacional do Azulejo de Lisboa, que cedeu em 2007 um espaço de 3 x 3 m para a composição. No ano passado, a mesma técnica coloriu uma das paredes do Jardim Botânico Tropical. Já na série Desenhar a Tradição (relançada em 2011 como Coelhos Alentejanos), as tradicionais cerâmicas portuguesas feitas de barro foram redesenhadas em parceria com uma comunidade de oleiros. “Assim, é possível preservar o conhecimento e passá-lo às próximas gerações. Essa é, talvez, a única maneira de mantermos vivas algumas artes muito antigas”, avalia Pedro.  

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