Entrevista com Maarten de Ceulaer

O designer belga conta como criou a sua série Mutação, destaque da Semana de Design de Milão, e fala também qual é a mensagem que as criações querem passar. 

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Depois de ser aclamado pelo público e pela imprensa na Semana de Design de Milão deste ano com sua coleção Mutação, o designer belga Maarten de Ceulaer desembarca em São Paulo para participar do Boomspdesign, seminário internacional de arquitetura e design, que acontece de 22 a 24 de agosto. Preparando-se para a visita, Maarten falou com CASA CLAUDIA por e-mail.

Como surgiu a inspiração para criar a série Mutação?

Estava pesquisando estruturas moleculares de todos os tipos e fiquei fascinado pelo assunto. Mais tarde, deparei-me com algumas imagens de pessoas com elefantíase, doença caracterizada pelo espessamento da pele e que pode inchar algumas partes do corpo do tamanho de uma bola de basquetebol. Desejava expressar o crescimento incontrolável de células por meio do mobiliário e traduzi isso com as peças inchadas da série Mutação.

Você desenha objetos poéticos. Que mensagem deseja compartilhar?

Cada projeto conta uma história, mas a essência da maior parte deles é despertar a imaginação. Pense em um guarda-roupa, que nada mais é do que uma pilha de malas, da qual você pode pegar apenas uma, saltar de um avião e deixar tudo para trás para sempre. Imagine um mobiliário como bactérias gigantes que crescem aleatoriamente. Gosto de levar as pessoas para longe por um momento, alegrando sua vida quando veem e usam meus objetos.

Como teve início o projeto de empilhar malas?

A inspiração veio de minha paixão por viagens. Eu viajei muito pela Europa com meus pais quando eu era criança, mas tinha muita vontade de explorar o mundo sozinho. Decidi, então, que viajaria logo após minha formatura para a Índia, o Nepal, o Laos e a Tailândia. Então, como não conseguia parar de pensar nisso, decidi usar essa ideia como ponto de partida para meu projeto de graduação. Comecei a pesquisar sobre as malas usadas no início do século 20, feitas de couro e madeira por artesãos qualificados e lentamente esse conceito foi amadurecendo em minha mente. Pensei em projetar um sistema de armazenamento dinâmico e flexível, o oposto daqueles guarda-roupas enormes difíceis de transportar. No sistema criado por mim, você pode carregar um volume de cada vez e descer uma escada facilmente. A peça traz uma mensagem nômade moderna: ‘apenas embale seus pertences e mova-se ou começar a viajar’. Encontrei um artesão de couro incrível em Bruxelas, Ralph Baggaley, que me ajudou a concretizar essa ideia. Juntos, gastamos centenas de noites discutindo, fazendo pequenos testes de protótipos até que encontramos a solução ideal para as peças serem produzidas.

Como a badalada Galeria Nilufar, de Milão, conheceu seu trabalho e decidiu expô-lo?

A consultora de tendências Li Edelkoort selecionou meu projeto para uma exposição de obras de alunos de graduação que ocorreria em Roterdã, na Holanda. Durante a noite de abertura, vi uma mulher falando sobre a minha peça para outras pessoas, e um amigo meu me apresentou a ela. Essa mulher era Nina Yashar, a fundadora da galeria Nilufar. Naquela mesma noite, nós definimos que eu criaria uma coleção exclusiva em torno do mesmo conceito para a Nilufar. Quatro meses mais tarde, mostrei as três primeiras peças na galeria durante o Salão do Móvel. No ano seguinte, mostramos duas novas peças.

Você diz que conta histórias pelos objetos? Como consegue isso?

Eu tento criar peças que tenham um bom conceito e que ele seja claro para todos. O design deve falar por si.

Quem são seus designers favoritos? Que peças deles você adoraria ter em casa?

Eu tenho tantos designers favoritos que nem sei por onde começar. Dos mestres, eu elegeria Achille Castiglioni, Vico Magistretti, Charles e Ray Eames. Dos designers mais contemporâneos, Gaetano Pesce, Hella Jongerius, Jurgen Bey, os irmãos Campana, Martino Gamper e Barber Osgerby. Não tenho um monte de peças de design em minha casa, e vai demorar algum tempo para eu comprar essas peças. Recentemente decidi começar a trocar obras com amigos. No momento, tenho uma bela chaleira de meu amigo Nacho Carbonell e vou fazer uma troca com Kaspar Hamacher. Eu realmente amo os bancos de madeira queimados dele. Já Kwangho Lee me prometeu uma vez que faria um lustre de malha em minha casa. Bom você ter perguntado, pois tenho lembrá-lo dessa promessa.

O que você pretende apresentar no BoomSPdesign?

Tentaremos mostrar alguns bowls balão, uma versão das valises para a Casamania e alguns dos protótipos da série Mutação, mas ainda estamos discutindo isso com a organização.

Que lugares de São Paulo você deseja conhecer?

Gostaria de ver as obras de Oscar Niemeyer no Parque Ibirapuera e espero poder visitar outros edifícios dele. Tenho curiosidade ainda em conhecer trabalhos do artista plástico Henrique Oliveira. Ouvi dizer também que o Museu de Arte da cidade (MASP) é um must. 

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