Exposição e livro remontam 15 anos da arte de Sergio Fingermann

“Se noite fosse água” traz uma intensa seleção de obras do artista plástico paulistano. 

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Com quase quatro décadas de carreira, Sergio Fingermann acaba de lançar seu quinto livro. “Se Noite Fosse Água” reúne os últimos 15 anos de produção do artista paulistano, apresentando uma seleção de imagens que relacionam entre si e traduzem suas obras tradicionalmente marcadas por mosaicos e o jogo entre claro e escuro.

O título da publicação, inspirado no poema Meditações sobre o Tietê, de Mario de Andrade, também dá nome a uma exposição com 15 pinturas em grande formato e 10 obras sobre papel. A mostra fica em cartaz até 9 de novembro na Dan Galeria, em São Paulo, e terá uma visita guiada com o artista, às 11h30, no dia do encerramento.

Leia a entrevista exclusiva; feita com Fingermann para CASA CLAUDIA LUXO :

Como surgiu a ideia de criar o livro “Se Noite Fosse Água”?

Paralelamente ao desenvolvimento de minha trajetória como pintor, sempre tive uma preocupação com a questão da transmissão da arte. O que é transmissível dessa experiência? A escrita, para mim, é simplesmente um testemunho, uma preocupação ética de deixar um registro, pistas do processo no qual estou envolvido. Fazer um livro é uma oportunidade de costurar, de dar um sentido para diversas experimentações artísticas que constituem o cotidiano de um trabalho de criação. É agrupar trabalhos pela sua poética, fazer famílias de experimentações que apontam para uma direção, que fazem uma afirmação de um projeto poético visual. Nesse meu último livro – “Se noite fosse água” (Editora BEI, 2013) – reuni obras dos últimos 15 anos de minha trajetória, que evidenciam minhas pesquisas quanto à escala dos trabalhos, isto é, a relação física do espectador com a imagem e a pintura, e a própria linguagem da pintura. Procurei registrar a minha luta para fazer falar essa linguagem e não o seu autor (insisto sempre em aproximar a contemplação da experiência). Me inspirei no poema Meditações sobre o Tietê (de 1945, de Mário de Andrade), do qual retirei o verso que dá título ao livro.

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Como foi produzi-lo?

Contei com o apoio da Lei Rouanet. Se nos livros anteriores – Fragmentos de um dia extenso (BEI, 2001), Elogio ao silêncio e alguns escritos sobre pintura (BEI, 2007), Gravura: Trama de Sombras (BEI, 2008) e Uma aprendizagem (BEI, 2010) – pude registrar as bases com que um artista trabalha, neste senti necessidade de ter um olhar externo ao meu processo criativo, que mostrasse uma contextualização de minha obra na cena artística brasileira. Por isso, convidei duas curadoras de museus – Ana Magalhães (Museu de Arte Contemporânea de São Paulo) e Laura Abreu (Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro) – para abordarem tangencialmente o meu percurso. Além disso, vale ressaltar que a editora BEI se caracteriza por uma excelência em suas edições, e é parceira generosa nas investigações de processos de impressão.

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A publicação remonta 15 anos da sua produção. Nesse período, muita coisa mudou? Há algo novo e diferente do que você já fez que sente necessidade de criar no futuro?

Numa época de excesso de autorreferências, de narcismo e de desconhecimento do ofício artístico (cultura do espetáculo), entendo que a linguagem pictórica pode fazer resistência a esses processos. Essa aceleração tem se intensificado em detrimento de um aprofundamento de discussões de caráter humanístico, do pacto com o humano, do qual a arte é guardiã. Meu trabalho tem intensificado essa resistência já há algum tempo. Na aparência, nesta última década, pode ter havido algumas mudanças formais nele (temas, tratamento pictórico, escala); mas na essência, a obra de um artista procura dar mais espessura à suas questões poéticas, que a meu ver nascem do espanto, da transformação desse espanto em acontecimento poético.

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Se Noite Fosse Água

Quando: até 9 de novembro

Onde: Dan Galeria – Rua Estados Unidos, 1638, São Paulo, SP.

 

 

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