Giulio Cappellini anuncia nova sede do Instituto Marangoni

Confira a entrevista com o designer italiano, dono da marca Cappelinni, que está no Brasil para palestrar sobre a novidade da escola de design 

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O emblemático empresário e designer italiano Giulio Cappellini, proprietário da icônica marca Cappellini, está no Brasil para o lançamento do Instituto Marangoni. A escola, que é uma referência quando o assunto é moda, inaugura em 2014 uma nova sede em Milão dedicada ao ensino de design. Cappellini será o diretor criativo e o consultor acadêmico, além de assinar o desenho do espaço interno. O designer veio para o Brasil a convite da instituição para falar mais sobre a novidade e fará duas palestras, uma hoje, em São Paulo, e outra no dia 6, no Rio de Janeiro.

Veja a entrevista exclusiva para a CASA CLAUDIA LUXO, realizada alguns instantes antes de seu embarque para o Brasil. E conheça a casa de Milão desse grande empresário e designer. 

O senhor sempre foi um grande inovador. Sempre buscou o design à frente do tempo. Hoje, como organiza a sua pesquisa e quais são suas inspirações?

A inspiração pode ser encontrada em todos os lugares, a partir da observação da natureza, da arquitetura, do comportamento das pessoas. A curiosidade leva a uma busca contínua de novos personagens, novos materiais, novos sistemas de produção. Para pesquisar devemos estar sempre abertos à novas propostas inovadoras.

Ser ao mesmo tempo designer e empresário do design é uma atuação rara no marcado. Quais são as dificuldades e as facilidades de atuar nos dois lados do negócio?

Ser empresário e designer me permite criar produtos mais próximos das reais necessidades do mercado e levando em conta os sistemas de produção e custos. Não acho que existam aspectos negativos nesse papel pois essa abordagem não limita em nada a criatividade.

Na sua carreira como  empresário do design, o senhor poderia nos contar duas grandes descobertas?

Uma descoberta fundamental foi ter começado a trabalhar com Jasper Morrison há 25 anos, no início de sua carreira e sempre ter mantido uma ótima relação de amizade e cooperação com ele. Outra descoberta importante foi a constatação de que no design não há limite para a utilização de materiais sejam eles naturais como artificiais. Isso me permitiu fazer produtos muito diferentes uns dos outros e gerou um enorme espaço criativo para os designers.

Como o senhor definiria um bom design?

Um bom design dura muito, cria objetos bonitos e úteis. São produtos que  nos apegamos e que não foram feitos para serem jogados fora depois de alguns anos. Um bom projeto fala ao nosso coração e nos dá um presente que é a alegria.

Gostaria que o senhor falasse um pouco do design tratado como arte. Das peças únicas feitas muitas vezes manualmente que se tornam objetos de colecionadores. Esse tipo de design está fadado a ser inacessível ao grande público?

Eu realmente acredito nos itens exclusivos, nesses produtos autoproduzidos. Eles representam um aspecto muito importante do design. Muitas vezes, esses projetos são o ponto de partida para a criação de peças industriais, por isso acabam não sendo, na maior parte das vezes, somente uma experimentação por si só. Certamente, pela a utilização de materiais e pelos custos de produção, se tornam itens caros. Que acabam atraindo os colecionadores.

Existem fronteiras que limitam os criadores?

Costuma-se dizer que tudo já foi criado quando o assunto é design. Mas isso não é verdade! O design está por toda parte, em uma cadeira ou em um telefone celular, em um armário ou em um carro. Assim, não há limites para o design, que pode ser encontrado tanto nos itens importantes e caros quanto nas pequenas coisas que usamos todos os dias durante todo o ano.

Quando publicamos a sua casa em 2010, pela primeira vez no Brasil, notamos uma grande paixão pelo design. Como o senhor escolheu as peças para conviver diariamente?  E a sua casa vem se transformando ao longo do tempo?

Eu gosto de mudança e a minha casa está em constante evolução e continua a ser um mix de produtos de design de ontem e de hoje. Um espaço para arte a qual sou muito apaixonado. Minha casa não é um museu, mas um lugar que reflete a minha personalidade e de minha família. Temos objetos preciosos, de valor ou muito simples, o importante é que gostamos deles e eles nos fazem viver bem.

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