Jader Almeida é homenageado no VII Prêmio CASA CLAUDIA

A história de um jovem designer e a revolução industrial

O som toca blues, os ambientes recendem a patchuli. Já na entrada, o showroom da Icon, que expõe as coleções de Jader Almeida em Florianópolis, captura dois dos nossos sentidos. Mais alguns passos e começam a surgir suas criações, convidando gentilmente ao toque em tampos de pedra com acabamento aveludado, braços de cadeira levemente torcidos, banquetas de cortiça e assentos de palhinha. Pronto, visão e tato também já estão entregues.

Cérebro não só de premiadas coleções de móveis como também da atmosfera cool associada à marca que leva seu nome, o designer Jader Almeida, 36 anos, comemorou no início de 2017 duas décadas de carreira. Sim, ele pisou pela primeira vez numa fábrica antes mesmo de completar 16 anos e depois de já ter concluído cursos técnicos profissionalizantes, como o de eletricista. “Sempre conciliei estudo e trabalho”, conta ele, que se formou arquiteto. “Iniciei a aproximação com o design pela indústria, conhecendo materiais, cadeia de suprimentos, logística, maquinário, tecnologia. Tudo isso sempre se fez presente no meu vocabulário, na minha prática cotidiana”, diz.

(Ricardo Corrêa/Revista CASA CLAUDIA)

À sólida bagagem técnica e à desenvoltura diante de complexos processos industriais, somou-se uma vivência decisiva: a chance de coordenar a padronização da produção dos móveis assinados por Sergio Rodrigues na LinBrasil, que edita as coleções do mestre. Trilhado com objetividade e obstinação, esse percurso levou ao encontro com a Sollos, em 2004. Naquela época, a indústria catarinense buscava um designer para desenvolver produtos internamente, e Jader se encontrava pronto para deslanchar em trabalhos autorais. Foi o início de uma fértil parceria, que já resultou em sucessos de público e crítica (veja alguns virando a página) e hoje conta com um portfólio de 350 produtos, distribuídos por mais de 80 lojas parceiras, sendo 20 internacionais.

Hoje a Sollos exporta 20% da produção de Jader Almeida e pretende chegar à metade. “O reconhecimento no exterior é uma questão de competência e qualidade. No trabalho de Jader, a tal brasilidade não é tão perceptível, exceto pelo uso inovador da madeira”, opina Baba Vacaro, diretora de criação da Dpot, loja que acompanha desde o início a evolução do designer. Adélia Borges, crítica e historiadora de design, enxerga nele uma clara filiação aos escandinavos. “Jader formulou um desenho acessível, que agrada as pessoas”, observa. Prova disso são as 20 mil unidades vendidas da cadeira Bossa (acima), uma de suas peças mais antigas. Já a mais recente, a cadeira Celine (usada como ícone na abertura desta matéria), estreou no mercado brasileiro em junho passado, após première no Salão Internacional do Móvel de Milão. Ao comentar sua nova cria, Jader brinca: “Confesso que ela me pega um pouco na canela. Mas sou pequeno demais, não posso me usar como padrão”. Bem, ele pode não ser alto, mas sua estatura profissional é a de um gigante.

 

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