MAM apresenta a obra de Maria Martins

Exposição tira do escuro a evolução da artista mineira, única representante do movimento surrealista na América Latina.

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A exposição iniciada no dia 10 de julho no Museu de Arte Moderna de São Paulo pode ser vista como parte de uma onda redentora da obra e da figura de Maria Martins no Brasil. Única representante latino-americana do surrealismo, a artista desenhou uma carreira tardia e fora do país, embora os temas brasileiros tenham sempre permeado seu trabalho, malvisto pelos críticos daqui à época – à exceção de Walter Zanini e Sérgio Milliet, que a tarimbariam para convites para expor no Brasil, onde pouco mostrou em vida.

A leveza e a despretensão não deixaram que o trabalho de Maria esmorecesse ou mudasse o rumo metamorfósico diante da recepção negativa, como pretende mostrar a organização das peças na mostra no MAM. A obra escultórica – sem dúvida, a mais importante de Maria Martins – só ganhou fôlego quando a também designer de joias pôde finalmente estabelecer um ateliê, em 1947, em Washington, onde viveu com Carlos Martins.

Dessa época é outra de suas obras mais conhecidas. Não Te Esqueças Que Vim dos Trópicos trazia justamente a afirmação do título: uma afirmação nacional e cultural, que no entanto foi mal recebida pela crítica. O crítico americano Clement Greenberg (que depois promoveu gente como Jackson Pollock) não se empolgou com as esculturas de Maria. Achava suas relações formais previsíveis e classificou-a como uma escultora de índole “barroca, e não moderna”. Hoje, a maior parte de suas peças está em instituições americanas. Os trópicos esqueceram-se de Maria? Durante muito tempo, sim. Consagrada no exterior e amiga de Getúlio Vargas, Niemeyer e Ciccillo Matarazzo, Maria voltou ao país em 1950 para ajudar a montar a Bienal de Arte de São Paulo e exibir sua primeira individual em solo brasileiro, curiosamente no próprio MAM, quando o museu funcionava no centro de São Paulo. 

Maria Martins: Metamorfoses

Quando: até 15 de setembro

Onde: Museu de Arte Moderna de São Paulo – Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3)

Horários: de terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)

Informações: tel. (11) 5085-1300

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