Morar em espaços menores é tendência, garante Lidewij Edelkoort

A pesquisadora holandesa diz que as pessoas sentirão a necessidade de ser abraçadas pela casa.

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O futuro é o objeto de trabalho de Lidewij Edelkoort, holandesa radicada em Paris, cabelos pretos com propositais raízes brancas – mesmos tons de suas roupas estilosas e confortáveis. Apesar do tema – que a obriga a estar sempre conectada e atenta – ela parece tão calma quanto seu jeito de falar suave e pausado, em perfeita conexão com o quarto de hotel chique e acolhedor onde nos encontramos, nos Jardins, região nobre de São Paulo. Descalça, ela senta e pergunta se eu não quero ligar o gravador. Sim, claro, ainda bem que alguém se lembrou. Fundadora da empresa de pesquisas Trend Union e eleita pela revista Time, em 2003, como uma das 25 pessoas mais influentes do mundo da moda, Li esteve no Brasil para um seminário de tendências direcionado a uma plateia de profissionais que trabalham com estilo. Nesta entrevista, descubra um pouco do que eles ouviram por lá.

Pensando na casa, quais as tendências para o morar nos próximos anos?

Observo uma necessidade maior de viver em espaços pequenos, por incrível que pareça. É como se as pessoas quisessem ser contidas, abraçadas pela casa. Estamos tentando descobrir como reduzir e viver com menos, mas sem perder a qualidade. Por isso, a procura de novos jeitos de deixar a luz entrar, por exemplo. Usamos como exemplo as cabanas: há muitos jovens arquitetos desenhando esse tipo de construção compacta. A releitura dos chalés também é forte, trazendo foco ao uso da madeira. Por falar nela, será um material cada vez mais valorizado, aplicado até como revestimento de parede. Trazemos ainda a imagem das tendas como uma metáfora para um novo comportamento, novas formas e construções: elas falam da vontade de liberdade e de um espírito nômade. Aí, vemos como será importante o uso de tecidos nas novas construções – sejam elas temporárias ou pensadas para a área externa.

A menção à natureza e à sustentabilidade cresce a cada ano nas pesquisas de tendências. Como você analisa essa evolução?

Começamos a falar de sustentabilidade nos anos 1990 e essa macrotendência não morre, vai se dividindo em outras menores. E, claro, continua. Nós abordamos agora o que chamo de Green House: casas com muito vidro e transparências, abertas para a luz e para a paisagem. Queremos nos sentir como uma planta: ser cuidados e regados. Vemos brotar todo tipo de jardim nessas moradias: internos, de parede, verticais, no telhado…

E quanto às cores?

Também observamos um jeito de viver urbano mais criativo e artístico, capaz de reconstruir prédios e reanimar contêineres sobretudo com muita cor. Vindo da moda, o colorblocking chega à arquitetura, em prédios com fachadas em camadas de diferentes tons. Por falar em moda, o pink sai das passarelas, mas chega aos interiores, sempre em peças menores. Sem falar ainda nos laranjas, cítricos e amarelos…

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