Paulo Mendes da Rocha é homenageado no VI Prêmio CASA CLAUDIA

Aos 60 anos de carreira, Paulo Mendes da Rocha se consagra como um dos mais importantes arquitetos do mundo, vencedor de relevantes prêmios internacionais

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O olhar desafiador espelha a personalidade inquebrantável de Paulo Mendes da Rocha, nosso segundo ganhador do Prêmio Pritzker, o maior da arquitetura mundial, em 2006, e primeiro do Leão de Ouro na Bienal de Veneza, em 2016. Dono de uma obra sólida, celebrada no planeta inteiro, o profissional é também um literato e saboreia o ato de brincar com as palavras e criar efeitos especiais, a exemplo da arquitetura magnífica que pratica. Na vida, há duas coisas que ele adora, além da arquitetura, claro: a boa prosa e a grandeza da poesia. “Ah! Poesia é uma coisa maravilhosa”, diz se declarando um leitor voraz desse tipo de literatura. “Ela ajuda a descobrir o caminho dentro dos cinco sentidos.” Rumo que Paulo desvendou logo no início da profissão. Quem, se não um mago da prancheta, seria capaz de tamanho lirismo ao fantasiar uma casa com surpreendente piso de asfalto usado em convés de navio, próprio para aguentar as ondas? Algo indizível nos anos 1970… e mesmo ainda no século 21. Desenhada para o então galerista Fernando Millan (1924-1998), a morada se valeu do material, que avançava da calçada para a sala e a cozinha, num ousado plano de seu autor. Assim, o pavimento inferior virou uma extensão da cidade em território privado, do qual saltavam tufos de verdes bananeiras. “A parte pública da residência”, lembra. Com textura áspera, o piso escuro se atrevia a aparecer harmoniosamente ao lado de obras de arte, como quadros do espanhol Pablo Picasso, de Di Cavalcanti e de mais outros do mesmo quilate. Só mesmo um olhar de vanguarda para quebrar paradigmas – a exemplo da casa Millan e do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), considerado uma de suas obras-primas, enterrado abaixo do nível do solo apenas para deixar uma praça livre, democrática e interligada à rua logo acima – e vislumbrar no conflito contemporâneo uma necessidade urgente de refexão e, portanto, de transformação. “Faz tempo que precisamos mudar nosso olhar para inverter a rota do desastre”, alerta. “Claro, podemos experimentar, mas temos a obrigação de saber o que não fazer.” Com sua mente brilhante característica (e o pensamento cartesiano), ele discorre sobre o meio ambiente, nossas bacias hidrográficas, cinema argentino e a literatura do célebre Jorge Luis Borges (1899-1986), a quem idolatra. “Gente assim desperta minha curiosidade.” E completa: “Ser indagativo é a razão de nossa existência. A chave está em distinguir o profundo do banal”.

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