SP-Arte acontece neste fim de semana e tem arte de primeira à venda

Em sua décima edição, a SP-Arte, que vai de 2 a 6 de abril, se consagra com a maciça presença internacional e múltiplos a preços acessíveis para quem quer começar a colecionar.

Convicta de que sua proposta iria mudar a maneira como a arte brasileira era vista e comercializada, Fernanda Feitosa entrou no grandioso Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em 2004, carregando uma imensa maquete do que seria a SP-Arte. “Eu queria mostrar aos diretores, na época, que a feira estava à altura dos grandes acontecimentos que ocorreram no prédio, como a mostra Tradição e Ruptura e a própria Bienal de São Paulo. Precisei de ajuda para carregar o apetrecho, mas consegui o que queria”, lembra Fernanda. Carioca, advogada formada pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, ela se inspirou naquela que é considerada a maior feira de arte moderna e contemporânea do mundo, a Art Basel, com edições na cidade suíça que a batizou e versões em Miami e Hong Kong. Uma década depois, Fernanda tem certeza de que fez a “ocupação” correta do espaço criado por Oscar Niemeyer. “Fui uma catalisadora desse processo. As galerias se uniram e o mercado se movimentou”, diz a diretora do empreendimento, que fez questão de batizá-lo de Feira Internacional de Arte Moderna e Contemporânea de São Paulo. “Nunca desejei que a SP-Arte fosse uma feira insular, de gueto, só de artistas brasileiros.” De fato, ela nunca se restringiu à arte produzida aqui. Os indícios da vocação global se reforçam ano a ano. A presença de galerias internacionais só cresce – de uma em 2005 para 58 em 2013.

Para o evento de 2014, 11 galerias do poderoso ranking Power 100, da revista ArtReview, trarão o trabalho de seus artistas a São Paulo. Greg Lulay, diretor da galeria David Zwirner, número dois na lista, vem ao Brasil pela segunda vez e traz artistas como Jeff Koons e Yayoi Kusama. “Usamos a feira para alcançar pessoas que não conhecemos. Estamos impressionados com o crescimento do mercado internacional”, diz Lulay. A galeria Gagosian, quarta na lista e com 14 pontos de venda espalhados pelo mundo, de Nova York a Genebra, é representante de artistas do calibre de Richard Serra, Andy Warhol e Georg Baselitz. Outras galerias poderosas do circuito mundial participam pela primeira vez da SP-Arte, como Marian Goodman, 14ª da lista, representante dos artistas William Kentridge, Steve McQueen e Gerard Richter. “Temos hoje cerca de 40% de participação estrangeira”, diz Fernanda. Tamanha visibilidade encontrou ressonância no público, que se sente à vontade para circular pela Bienal. Quando criou a SP-Arte, Fernanda foi questionada por um galerista: “Precisamos de mais clientes?” Ao que a empreendedora fez questão de responder: “Sim, temos que formar uma nova geração ávida por dar vazão aos sonhos de comprar uma obra de arte”. Fernanda acredita que a evolução da feira acompanhou a evolução do consumo do brasileiro.

Para quem nunca comprou arte, uma tendência se fortalece na feira: a aquisição de um múltiplo, ou edição limitada, que nada mais é que a oportunidade de ter acesso a um artista consagrado com preço mais acessível por ser uma tiragem maior. Com estreia nesta edição, a Carbono Galeria é especializada em múltiplos. Renata Castro e Silva, sua sócia e diretora, revela que “o perfil desse comprador é o colecionador iniciante, que ainda não se sente muito seguro em adquirir uma obra mais cara”. A galeria trará múltiplos de Tomie Ohtake, Tatiana Blass, Rodrigo Andrade e Paulo Bruscky e ainda obras de artistas internacionais, como Olafur Eliasson. “Tenho José Damasceno por 1,5 mil reais e Edgard de Souza por 2 mil reais, entre outros”, diz. Claudia Marchetti, da ArtEEdições, especializada em edições limitadas de nomes como Anish Kapoor e Damien Hirst, credita a abertura de sua galeria na avenida Estados Unidos, em São Paulo, a sua participação na SP-Arte. “Meu negócio era discreto e a feira me fez perceber que o mercado é maravilhoso”, conta. Maneco Müller, da galeria Mul.ti.plo Espaço Arte, defende a produção seriada como genuína manifestação da arte. “Não se trata de uma isca para o colecionismo. A vocação da arte é ser vista por muitos”, afirma ele, que participou de todas as edições da feira. “Eu me interesso pela construção do olhar poético para o mundo contemporâneo”, fala. Sonhar não custa nada, mas, se depender dos esforços de Fernanda Feitosa, comprar arte pode ser bastante possível também.

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