Uma entrevista com Ara Starck, filha do designer Philippe Starck

Pintora, escritora e cantora, Ara Starck, de 34 anos, tem sido considerada pela crítica especializada uma boa surpresa da cena artística francesa. 

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Era um dia de inverno quando saí para entrevistar Ara Starck em seu ateliê parisiense. Depois de atravessar a rue de Rivoli, acessei o prédio que tinha como indicação na porta de entrada apenas o registro do nome de família – Starck. Interfonei e subi até o terceiro andar. Ao soar a campainha do apartamento indicado, quem me recebeu calorosamente na porta de entrada foi Gina Moon, uma das gatas de Ara Starck. Em seguida, sua dona apareceu simpática e comunicativa, me convidando para um chá. A entrevista foi feita na cozinha. Comecei falando sobre seu projeto musical. Ara gravou The Two (2010) com David Jarre e está preparando outro CD para o segundo semestre deste ano – essa foi a deixa para ela desandar a falar. Confira a entrevista exclusiva feita por CASA CLAUDIA LUXO

 

 

 

 

 

Como surgiu a ideia de gravar um CD?

 

Desde os 7 anos toco piano e, quando recebi a proposta de formar um duo com o David [filho do artista Jean-Michel Jarre], não hesitei. Pensei que seria um risco, pois com a pintura não sou obrigada a me mostrar, mas como cantora teria que subir no palco. Enfrentei esse desafio como um exercício e o resultado foi quase uma catarse.

É complicado ser filha de Philippe Starck?

 

Não é. Ele é um pai maravilhoso, apenas menos complacente comigo que com os outros.

Como foi trabalhar com ele no projeto do hotel Le Meurice?

 

Soube pela imprensa que o hotel havia aberto uma seleção para escolher o artista que criaria uma obra para um dos salões. Sem avisar ninguém, me inscrevi com um pseudônimo. Dias depois alguém me ligou avisando que o senhor Starck gostaria de conversar. Quando disse alô, ele reconheceu minha voz e falou: “Filha, foi engano, depois conversamos”. Disse que estava trabalhado, que me ligaria depois. Perguntei sobre o trabalho e ele confirmou que tinha ligado para a pessoa que havia sido escolhida pela direção do hotel para pintar o teto do Le Meurice, mas que, por engano, a assistente discou meu número. Falei que não era engano. Ele desligou, irritadíssimo.

E o que você fez?

 

Liguei de volta e expliquei que tinha concorrido anonimamente porque de outra maneira ele não concordaria com minha candidatura. Ele terminou por aceitar minha explicação, uma vez que meu projeto tinha chamado a atenção dos diretores do hotel. Nossa sinergia durante esse período de trabalho foi simplesmente perfeita.

Suas últimas obras são imagens feitas em 3D. Como se deu essa mudança das telas a óleo para esse suporte tecnológico?

 

Fiz um ano de anatomia na Faculdade de Medicina e aprendi que a terceira dimensão é a própria vida. Os quadros expostos aqui no ateliê foram desenhados com a técnica do lenticulaire.

Pintora de obras tridimensionais e monumentais, cantora e compositora, o que mais você quer da vida?

 

Ser feliz.

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