Para Matthias Hollwich a arquitetura é essencial para o bem-estar

O arquiteto acredita que espaços que promovam a interação social, incentivem a prática de atividades físicas e impulsionem a mobilidade são fundamentais

Matthias Hollwich (Divulgação/Vitacon)

Matthias Hollwich é um arquiteto e urbanista alemão e entusiasta do movimento urbanístico sobre morar bem, com qualidade de vida e de forma saudável. Ele é autor do livro “New aging – Live smarter now to live better forever“. Hoje, participou do fórum “Você está preparado para viver até os 100 anos?” ao lado do Secretário Municipal de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda, da médica endocrinologista e nutróloga, Vânia Assaly, e do Presidente da incorporadora Vitacon, Alexandre Frankel.

O evento aconteceu no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e discutiu quais mudanças são necessárias nas cidades para que as pessoas vivam cada vez melhor e envelheçam com qualidade de vida. A seguir, confira nossa entrevista com Matthias:

Como as cidades podem ajudar as pessoas a envelhecerem com mais qualidade de vida?

Em primeiro lugar, todos nós deveríamos amar viver. Os principais aspectos para ter qualidade de vida, mesmo durante o envelhecimento, são a conectividade social, a prática de atividade física e o cuidado com a saúde. Cidades e edifícios podem nos ajudar fornecendo equipamentos culturais onde possamos fazer coisas de que gostamos, ambientes que nos auxiliem a nos manter em forma, redes de transporte que nos tornem independentes, casas personalizadas para as nossas necessidades e serviços próximos às nossas casas, que forneçam aquela ajudinha extra sempre que precisamos.

Qual é a importância de criar espaços urbanos que incentivem a prática de exercício?

A maioria de nós vai à academia para se exercitar, mas há muitas formas de ser ativo em nossos ambientes circundantes que não são explicitamente rotuladas como “exercício”. Os espaços urbanos bem-sucedidos criam oportunidades de exercícios alternativos para todos nós. Isso pode significar nadar em uma piscina pública, passear em torno de um museu, andar de bicicleta de um lado da cidade para o outro, ou cruzar todos os corredores de uma loja de departamentos. Ao nos exercitarmos sem uma obrigação específica, podemos facilmente nos tornar mais saudáveis ​​e felizes durante toda a vida.

Nas grandes cidades, o estresse é um grande fator prejudicial para a saúde das pessoas. Como os projetos urbanos podem ajudar a mudar esse cenário?

Há muitas maneiras de combater o estresse. Podemos criar uma calma que represente a velocidade do nosso mundo de hoje. Podemos criar ambientes de treino, em que reduziríamos os níveis de estresse através da prática de exercícios físicos; projetar espaços que nos conectem com amigos, familiares e vizinhos de forma significativa, fazendo-nos nos esquecer do estresse que nos rodeia.

E dentro das casas das pessoas, o que poderia melhorar o bem-estar?

O verdadeiro valor de uma casa vem do fato de estar completamente em sincronia com nosso estilo de vida. As casas freqüentemente têm cozinhas, salas de estar, salas de jantar e quartos, mas nenhuma área dedicada ao exercício. Embora nem todos possam ter uma sala inteira dedicada a isso, é possível adicionar um espaço para treino multifuncional em nossas casas. Uma sala de estar pode se tornar uma sala de ioga temporária, um estúdio pode ser aprimorado com equipamentos de cardio, adicionando uma esteira ou uma bicicleta. Nós podemos usar nossos quartos para fazer alongamento e flexões. Transformar nossas casas em espaços aptos à prática de atividades físicas elimina possíveis desculpas de fugir dos exercícios.

Como os ambientes abertos, que incentivam a vida comunitária, ajudam na longevidade das pessoas?

À medida que envelhecemos, nossa comunidade e rede social tornam-se ainda mais importantes. Eles são a nossa rede de segurança. Ambientes abertos tornam mais fácil expandir nosso círculo social. Parques, playgrounds, praças abertas e mercados locais são ótimos lugares para conhecer nossos vizinhos. Em edifícios individuais, as áreas comuns e os terraços abertos proporcionam uma função semelhante.

 

(Divulgação/CASA CLAUDIA)

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