Casa paulistana com arquitetura brutalista da década de 1970

O projeto de reforma desta casa respeitou totalmente a história da casa modernista. Entenda!

A moradora, a arquiteta Regina Junqueira, à frente das estantes originais da construção. (Evelyn Müller/Revista CASA CLAUDIA)

Na contramão das reformas mais comuns hoje em dia, em que boa parte das paredes vai abaixo, nesta casa, de 600 m², apenas o piso foi substituído, e alguns ambientes, reconfigurados. Nada mais era necessário, já que a construção dos anos 1970, além da bela arquitetura brutalista, exibe qualidades bem atuais: espaços amplos e conectados, a transparência dos grandes painéis de vidro e uma área externa que abraça o interior. Originalmente projetado pelo arquiteto Ennes Silveira Mello para seu filho, o lugar cruzou o caminho da arquiteta Regina Junqueira por acaso. “Minha família e eu estávamos em busca de mais espaço e, depois de algumas visitas malsucedidas a outros imóveis, fiz uma pesquisa aleatória na internet: ‘casas com jardim’. Vi a primeira foto e logo agendei para conhecer. Era muito melhor do que imaginávamos”, lembra. Quando escutou a história da residência e de como ela foi importante para o movimento modernista, sua curiosidade de arquiteta falou alto. Telefonou para Ennes e foi conhecê-lo. “Conversamos por horas a fio sobre a casa que eu acabara de comprar. Ali mesmo, decidi que a reforma deveria preservar toda essa memória e, ao mesmo tempo, incorporar a nossa”, diz. Assim, mais do que trazer estética e conforto aos ambientes, a decoração foi planejada para unir épocas. Móveis originais dos anos 1950, muitos deles assinados por Jorge Zalszupin e Geraldo de Barros, dão continuidade à linguagem da arquitetura.

No living, essas peças de madeira somam forças com o novo piso de peroba de demolição e a luz natural para aquecer e iluminar a caixa de concreto. Se antes a casa onde moravam não comportava o acervo de obras de arte da família, agora elas ocupam áreas de destaque. As linhas sinuosas e com cores intensas da artista Márcia de Moraes, a originalidade das tapeçarias assinadas por Burle Marx, a delicadeza das esculturas de resina de Abraham Palatnik e o tom pop das gravuras trazidas de viagens estão em total sintonia e revelam o olhar eclético dos proprietários. “O concreto, cheio de imperfeições, mostra autenticidade e compõe a base para que esses trabalhos brilhem”, afirma Regina. A área de lazer seguiu a mesma pegada de recuperar e somar: o projeto de paisagismo, assinado por Renata Tilli, manteve as plantas existentes e acrescentou espécie volumosas e altas, que reforçaram a privacidade do espaço.

(Evelyn Müller/Revista CASA CLAUDIA)

As mesas de centro de Jorge Zalszupin são da Artemobilia. Vasos da Loja Teo.

(Evelyn Müller/Revista CASA CLAUDIA)

Painéis de vidro trazem mais luz para a sala. Mesa lateral da Dpot e luminárias da Reka.

(Evelyn Müller/Revista CASA CLAUDIA)

varanda coberta recebeu o mesmo piso de madeira de demolição dos espaços internos. Para criar uma área boa para relaxar, a moradora escolheu um sofá com chaise embutida. Mesa de centro da Tora Brasil e cadeira de madeira e fibra de Geraldo de Barros (Artemobilia)

(Evelyn Müller/Revista CASA CLAUDIA)

Acompanhado por banquinhos originais da década de 1950, o bufê é da Loja Teo. A tela supercolorida da artista plástica Marcia de Moraes (Galeria Leme) define a paleta do arranjo de quadros. “A maioria deles é de gravuras que comprei ao longo do tempo e estavam guardadas, esperando a hora certa de entrar no décor”, conta Regina.

(Evelyn Müller/Revista CASA CLAUDIA)

Na sala de jantar, tapete da Phenicia Concept, tapeçaria de Burle Marx e móveis de Jorge Zalszupin (Artemobilia).

(Evelyn Müller/Revista CASA CLAUDIA)

A piscina, que já existia, foi cercada por folhagens altas, selecionadas pela paisagista Renata Tilli.

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